não te senti
Chamaste-me
não te ouvi
Fui traído pelos outros sentidos
manifestados pela penetração do olhar
e pela ação do querer mútuo
Embora livre, sinto-me escravo
de tuas intenções, de tua ação passional
e da áurea que te cerca e me ilude
nessa realidade utópica em que ainda me vejo
e nego... [R]
Sim! ainda me vejo assim e assim me encontro, casualmente. Isso também me chateia, me enoja, me separa de mim - acredite: esse castigo me destrói mas não me afasta do meu crime, que é adorar um Mito.
Minhas atitudes voluntárias não são mais as mesmas. Entretanto, tenho de reconhecer ritualizá-lo ocultamente: sempre que ocorre a colisão primitiva e portanto inaugural entre meu CORPVS e meu ANIMVS, sempre..., me entrego ao seu culto: respiro fundo, desprendo-me (de valores e tecidos), relaxo, aliso-me; abro a boca, ofego, viro, vou e volto, afago-me; aperto os olhos, cerro-os, lacrimejo, remexo-me, troco, aperto-me; dobro e estico, mordo, arranho, chego mais perto; fricciono-me, transpiro, extasio, gozo, encerro.
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